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domingo, 30 de outubro de 2011

Será que eu mereço todo este amor?


Hoje acordei às 11:40h da manhã e tinha um concurso para fazer ao meio-dia. Estava bem despreocupado, diferentemente da voz da minha mãe, que exclamava: - "Se ajeita, Wandson! Ô menino descansado - naã!!". Então minha irmã chega e diz que, no local das provas, já estava cheio de gente.
Coloquei uma roupa, tomei uma xícara de café, peguei a biz e me mandei. As duas - minha mãe e minha irmã - ficaram falando da minha "despreocupação" (se me permitem o eufemismo). Eu ainda escutava a voz delas quando fechei o portão.

Cheguei ao local da prova com cara de sono, todos já estavam na sala. Então me identifiquei e esperei a prova, que logo puseram à mesa. No geral, ela estava boa, não foi perfeita, mas deu para fazer muitas questões consciente da resposta certa. Eu não gostei da parte de geografia, principalmente daquelas chatices sobre vegetações e climas. Terminei, enfim. Fui um dos últimos a sair da sala, e de lá fui embora. Cheguei em casa, joguei o caderno de questões na minha cama e fui ver o jogo do Vasco x São Paulo.

De repente, quando estou no meu notebook (fazendo uma besteira qualquer), minha mãe entra e diz que vai dar uma lida na prova. Meia-hora depois, passo no quarto dela e vejo o caderno de questões fechado, deixado de lado. Olhei para a prova, e então ela, meio sem jeito, disse: "É difícil demais, não entendi quase nada".
Pronto. Foi o suficiente para me dá um nó na garganta e uma vontade danada de chorar. No duro. Fugi para o meu quarto e aquilo me deixou mal p/ cacete, nem sei explicar direito.

É num momento como este que a consciência de todo o sacrifício que ela faz por mim me deixa deprimido pra caramba. Tudo que eu sou, eu devo a ela. Se eu sei escrever uma mísera palavra, é graças a ela. Toda a educação que eu recebi, eu devo a ela.

Deus permita que eu seja digno de pelo menos 1/3 do amor que ela dedica a mim.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Reflexão encontrada por acaso


"Amar é sofrer. Para evitares sofrer, não deves amar. Mas, dessa forma, vais sofrer por não amar. Então, amar é sofrer, não amar é sofrer, sofrer é sofrer. Ser feliz é amar, ser feliz, então, é sofrer, mas sofrer torna-nos infelizes, então, para ser infeliz temos que amar, ou amar para sofrer, ou sofrer de demasiada felicidade - espero que estejas a perceber." - Woody Allen, Love and Death (1975)

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Allen é um filho da puta, no melhor sentido do termo. Ele consegue fazer algumas reflexões interessantes utilizando raciocínios simples, invejo isso. A inveja e a admiração andam juntas de mãos dadas. Mas a admiração sempre se sobrepõe àquela, além de ser mais digna.

Impossível Jardim


Às vezes, em sonho triste
Nos meus desejos existe
Longiquamente um país
Onde ser feliz consiste
Apenas em ser feliz.

Vive-se como se nasce
Sem o querer nem saber.
Nessa ilusão de viver
O tempo morre e renasce
Sem que o sintamos correr.

O sentir e o desejar
São banidos dessa terra.
O amor não é amor
Nesse país por onde erra
Meu longínquo divagar.

Nem se sonha nem se vive:
É uma infância sem fim.
Parece que se revive
Tão suave é viver assim
Nesse impossível jardim.

Fernando Pessoa 21/11/1909

domingo, 9 de outubro de 2011

Ainda é cedo


Estou passando por um momento de variados sentimentos. Algumas coisas que deveriam ser secundárias na nossa vida passam a ocupar um espaço central de nossos pensamentos. É inevitável. Uma mistura de memórias passadas, reflexões sobre o presente e pressentimentos confusos.

A incapacidade de controlar as emoções é terrível para quem é demasiado racional. Nos sentimos impotentes, fracos e derrotados diante das circunstâncias. Isso é muito desconfortável. É duro ser humano, demasiado humano.
Não sei o que quero dizer exatamente com esse texto, estou escrevendo sem objetivo nenhum.

Conversei com uma colega estudante de psicologia - uma adorável pessoa vale dizer; ela me disse que quando estamos tristes, acreditamos que as músicas nos dão sinais, principalmente se essas músicas chegam até nós por acaso. Lembrei-me que no mesmo dia, eu havia escutado no rádio (um produtor de acasos) uma música que dizia algo: "a primeira namorada, o primeiro bem-querer não dá para esquecer" (rs, era um forró bem meia-boca). O apego ao passado é triste, e nossa ilusória imaginação é a principal responsável por superestimar momentos que já se foram.

Mas não é dessa música que quero falar. O momento que estou vivendo pode ser imaginado por alguns trechos da música "Ainda é cedo", da Legião Urbana.

"Era quase escravidão
Mas ela me tratava como um rei
Ela fazia muitos planos
Eu só queria estar ali
Sempre ao lado dela
Eu não tinha aonde ir
Mas, egoísta que eu sou,
Me esqueci de ajudar
A ela como ela me ajudou

E não quis me separar
Ela também estava perdida
E por isso se agarrava a mim também

E eu me agarrava a ela
Porque eu não tinha mais ninguém
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo.

Sei que ela terminou
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei
Ela falou: - Você tem medo.
Aí eu disse: - Quem tem medo é você.
Falamos o que não devia
Nunca ser dito por ninguém
Ela me disse: - Eu não sei mais o que eu
sinto por você.
Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê.

E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Luto pelo que vale a pena.


Ontem morreu Steve Jobs. Ele já vinha lutando contra uma espécie rara de câncer há tempos. Dias atrás ele anunciou o fim de seu papel como "diretor-geral" (ou algo assim) da Apple. Parecia que ele já estava prevendo o porvir.
A série de homenagens para ele na internet e no mundo todo está sendo muito comovente. O cara foi um exemplo de vida. Segue um discurso dele proferido para formandos de Standford, nele Jobs fala sobre a sua notável biografia, suas dificuldades, sua obstinação e, sobretudo, fala do papel da morte na nossa vida. O discurso vale para cada um de nós, ele tem um valor universal.