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terça-feira, 21 de agosto de 2012

I am mine


Há leste e há oeste e há vida por toda a parte
Eu sei que nasci e eu sei que morrerei
O entre essas duas coisas é meu
Eu sou meu

O oceano está cheio porque todos estão chorando
A lua cheia procura amigos na maré alta
O sofrimento aumenta quando o sofrimento é negado
Eu apenas conheço a minha mente
Eu sou meu 

(I am mine - Pearl Jam)


sábado, 24 de dezembro de 2011

Da efemeridade do estar


Hoje estou triste, estou triste.
Estarei alegre amanhã...
O que se sente consiste
Sempre em qualquer coisa vã.

Ou chuva, ou sol, ou preguiça...
Tudo influi, tudo transforma...
A alma não tem justiça,
A sensação não tem forma.

Uma verdade por dia...
Um mundo por sensação...
Estou triste. A tarde está fria.
Amanhã, sol e razão.

[Fernando Pessoa - 22/abr/1928]

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Dualismo


Não és bom, nem és mau: és triste e humano...
Vives ansiando, em maldições e preces,
Como se, a arder, no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.

Pobre, no bem como no mal, padeces;
E, rolando num vórtice vesano,
Oscilas entre a crença e o desengano,
Entre esperanças e desinteresses.

Capaz de horrores e de ações sublimes,
Não ficas das virtudes satisfeito,
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:

E, no perpétuo ideal que te devora,
Residem juntamente no teu peito
Um demônio que ruge e um deus que chora.

Olavo Bilac

domingo, 30 de outubro de 2011

Será que eu mereço todo este amor?


Hoje acordei às 11:40h da manhã e tinha um concurso para fazer ao meio-dia. Estava bem despreocupado, diferentemente da voz da minha mãe, que exclamava: - "Se ajeita, Wandson! Ô menino descansado - naã!!". Então minha irmã chega e diz que, no local das provas, já estava cheio de gente.
Coloquei uma roupa, tomei uma xícara de café, peguei a biz e me mandei. As duas - minha mãe e minha irmã - ficaram falando da minha "despreocupação" (se me permitem o eufemismo). Eu ainda escutava a voz delas quando fechei o portão.

Cheguei ao local da prova com cara de sono, todos já estavam na sala. Então me identifiquei e esperei a prova, que logo puseram à mesa. No geral, ela estava boa, não foi perfeita, mas deu para fazer muitas questões consciente da resposta certa. Eu não gostei da parte de geografia, principalmente daquelas chatices sobre vegetações e climas. Terminei, enfim. Fui um dos últimos a sair da sala, e de lá fui embora. Cheguei em casa, joguei o caderno de questões na minha cama e fui ver o jogo do Vasco x São Paulo.

De repente, quando estou no meu notebook (fazendo uma besteira qualquer), minha mãe entra e diz que vai dar uma lida na prova. Meia-hora depois, passo no quarto dela e vejo o caderno de questões fechado, deixado de lado. Olhei para a prova, e então ela, meio sem jeito, disse: "É difícil demais, não entendi quase nada".
Pronto. Foi o suficiente para me dá um nó na garganta e uma vontade danada de chorar. No duro. Fugi para o meu quarto e aquilo me deixou mal p/ cacete, nem sei explicar direito.

É num momento como este que a consciência de todo o sacrifício que ela faz por mim me deixa deprimido pra caramba. Tudo que eu sou, eu devo a ela. Se eu sei escrever uma mísera palavra, é graças a ela. Toda a educação que eu recebi, eu devo a ela.

Deus permita que eu seja digno de pelo menos 1/3 do amor que ela dedica a mim.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Reflexão encontrada por acaso


"Amar é sofrer. Para evitares sofrer, não deves amar. Mas, dessa forma, vais sofrer por não amar. Então, amar é sofrer, não amar é sofrer, sofrer é sofrer. Ser feliz é amar, ser feliz, então, é sofrer, mas sofrer torna-nos infelizes, então, para ser infeliz temos que amar, ou amar para sofrer, ou sofrer de demasiada felicidade - espero que estejas a perceber." - Woody Allen, Love and Death (1975)

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Allen é um filho da puta, no melhor sentido do termo. Ele consegue fazer algumas reflexões interessantes utilizando raciocínios simples, invejo isso. A inveja e a admiração andam juntas de mãos dadas. Mas a admiração sempre se sobrepõe àquela, além de ser mais digna.

Impossível Jardim


Às vezes, em sonho triste
Nos meus desejos existe
Longiquamente um país
Onde ser feliz consiste
Apenas em ser feliz.

Vive-se como se nasce
Sem o querer nem saber.
Nessa ilusão de viver
O tempo morre e renasce
Sem que o sintamos correr.

O sentir e o desejar
São banidos dessa terra.
O amor não é amor
Nesse país por onde erra
Meu longínquo divagar.

Nem se sonha nem se vive:
É uma infância sem fim.
Parece que se revive
Tão suave é viver assim
Nesse impossível jardim.

Fernando Pessoa 21/11/1909